Narrativas de subjetivação e estratégias de resistência de professoras/es LGBTQIA+ no ensino de arte: uma abordagem queer-situada
DOI:
https://doi.org/10.33361/RPQ.2026.v.14.n.38.1329Palavras-chave:
Narrativas docentes, LGBTQIA+, Subjetivação, Escrevivência, Queer-situadoResumo
O artigo explora os modos de subjetivação de professoras/es LGBTQIA+ no ensino público, partindo da experiência pessoal do autor e de outras/os cinco professoras/es formadas/os em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Ouro Preto. Utilizando metodologias como escrevivência, autobiografia escrevivente e entrevistas narrativas, a pesquisa investiga como esses professores lidam com a categorização e a abjeção dentro do trinômio família-escola-sociedade. A análise teórico-metodológica, denominada perspectiva queer-situada, combina teoria queer e estudos decoloniais para entender os processos de subjetivação e as estratégias de resistência desenvolvidas nesse contexto. Ao final, considerou-se que as experiências de professores LGBTQIA+ no ensino de arte são moldadas por sistemas de poder, e suas estratégias de resistência, baseadas na coragem da verdade e no amor como ação. A pesquisa diferencia a docência LGBTQIA+, como docência situada, da simples presença de um/a professor/a LGBTQIA+. Enfatiza-se a necessidade da descolonização dos nossos processos de subjetivação enquanto docentes, bem como das nossas práticas pedagógicas, promovendo uma comunidade educacional aberta às diferenças e pautada na resistência às violências como as LGBTQIA+fobias.
Downloads
Referências
AMARO, I.; GANEM, B. R.; PEREIRA, E. A. Modos outros de discência e docência: atravessamentos entre experiências (trans)discentes e a produção acadêmica sobre (trans)docências. Revista Interinstitucional Artes de Educar, [S. l.], v. 8, p. 62–84, nov. 2022. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/riae/article/view/70974. Acesso em: 23 jun. 2025.
ANZALDÚA, G. La conciencia de la mestiza/ Rumo a uma nova consciência. In: HOLLANDA, Heloisa B. (org.). Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019. p. 323-339
BAUER, M. W.; GASKELL, G. Pesquisa qualitativa com texto: imagem e som: um manual prático. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.
BOAL, A. Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991.
BRASIL. Decreto nº 11.471, de 6 de abril de 2023. Recria o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Queers, Intersexos, Assexuais e Outras (CNLGBTQIA+). Diário Oficial da União, Brasília, DF, ed. 68, p. 2, 7 abr. 2023.
BUTLER, J. Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade. 20. ed. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020a.
BUTLER, J. A vida psíquica do poder: teorias de sujeição. Belo Horizonte: Autêntica, 2020b.
CARNEIRO, S. Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não ser como fundamento do ser. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.
EVARISTO, C. A escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, C. L.; NUNES, I. R. Escrevivência: a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020. p. 26- 46.
FERNANDES, E. R. “Existe índio gay?”: a colonização das sexualidades indígenas no Brasil. Curitiba: Brazil Publishing, 2019.
FOUCAULT, M. A história da sexualidade I: a vontade de saber. 10. ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2020a.
FOUCAULT, M. Microfísica do Poder. 11. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2021.
FOUCAULT, M. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. 42. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2014.
FOUCAULT, M. A coragem da verdade: o governo de si e dos outros II: curso no Collège de France (1984-1984). São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2011.
HOOKS, B. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. 2. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2013.
HOOKS, B. Tudo sobre o amor: novas perspectivas. São Paulo: Elefante, 2017.
LUGONES, M. Colonialidade e gênero. In: HOLLANDA, H. B. (org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020. p. 52 - 83.
MACIEL, P. D.; GARCIA, M. M. A. Os femininos no magistério: professoras lésbicas nas escolas. Currículo sem Fronteiras, Porto Alegre, v. 14, n. 3, p. 160–180, set./dez.
2014. Disponível em: https://www.curriculosemfronteiras.org. Acesso em: 23 jun. 2025.
MIGNOLO, W. D. Colonialidade: o lado mais escuro da modernidade. Revista Brasileira de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, v. 32, n. 94, p. 1–18, jun. 2017.
MISKOLCI, R. Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças. Belo Horizonte: Autêntica Editora: UFOP - Universidade Federal de Ouro Preto, 2012.
FERREIRA NETO, João Leite J L. A Analítica da Subjetivação em Michel Foucault. Revista Polis e Psique, [S. l.], v. 7, n. 3, p. 7–25, 2018. DOI: 10.22456/2238-152X.76339. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/PolisePsique/article/view/76339 . Acesso em: 6 set. 2025.
OLIVEIRA, M. R. G. de. O diabo em forma de gente: (r)existências de gays afeminados, viados e bichas pretas na educação. Curitiba: Devires, 2020.
PEREIRA, P. P. G. Queer nos Trópicos. In: HOLLANDA, H. B. (org.). Pensamento feminista hoje: sexualidade no sul global. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020. p. 89-110.
QUIJANO, A. Colonialidade do poder e classificação social. In: SANTOS, B. de S.; MENESES, M. P. (org.). Epistemologias do Sul. 2. ed. Coimbra: Edições Almedina, 2009. p. 73-117.
SANTOS, Gersier Ribeiro dos; SILVA, Zuleide Paiva da. Lesbianidade e docência: uma revisão sistemática de literatura. In: FÓRUM INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE, 8., 2021, Florianópolis. Anais... DYPE, 2021. Disponível em:
VIDARTE, P. Ética bixa: proclamações libertárias para uma militância lgbtq. São Paulo: n-1 edições, 2019.
VITTAR, P. Indestrutível. Intérprete: Pabllo Vittar. Brasil: Sony Music, 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3eytpBOkOFA. Acesso em: 23 jun. 2025.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Pesquisa Qualitativa

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Essa revista é licenciada pelo sistema creative commons 4.0, não-comercial.






