Teatro do oprimido: diálogos estéticos e intersecções com a pesquisa acadêmica

Autores

  • Fabricio Gobetti Leonardi Universidade Federal de São Paulo
  • Heitor Martins Paquim Universidade Federal de São Paulo https://orcid.org/0000-0002-4994-7399

DOI:

https://doi.org/10.33361/RPQ.2026.v.14.n.38.861

Palavras-chave:

Pesquisa Qualitativa, Permanência Estudantil, Universidade, Estudantes

Resumo

Este estudo exploratório e descritivo investiga o uso do Teatro do Oprimido, desenvolvido por Augusto Boal, como ferramenta de produção de conhecimento científico em uma pesquisa sobre permanência estudantil universitária. O objetivo foi compreender como suas técnicas contribuem para a construção participativa do conhecimento acadêmico. A metodologia envolveu jogos e técnicas teatrais em dois encontros, totalizando 12 horas de atividades. Os dados foram produzidos por meio de diário de campo e transcrição das narrativas. A análise interpretativa buscou coerência com os princípios formulados por Boal e tomou como referência os temas permanência estudantil e saúde mental. Os resultados indicam que o Teatro do Oprimido favoreceu um ambiente de reflexão crítica, permitindo aos estudantes decifrar, expressar e experimentar processos de fortalecimento diante de autoritarismos e dilemas cotidianos. Por meio da interação dialógica, os participantes exploraram perspectivas e estratégias para enfrentar questões pessoais, institucionais e sociais.

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Publicado

2026-04-13

Como Citar

Leonardi, F. G., & Paquim, H. M. (2026). Teatro do oprimido: diálogos estéticos e intersecções com a pesquisa acadêmica. Revista Pesquisa Qualitativa, 14(38), 219–246. https://doi.org/10.33361/RPQ.2026.v.14.n.38.861

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