Entre a percepção e a imaginação: as vivências estéticas no mundo da vida
DOI:
https://doi.org/10.33361/RPQ.2026.v.14.n.39.1419Palavras-chave:
Fenomenologia da estética, Vivência estética, Percepção e imaginação, Doação e saturação, Ontologia do sensívelResumo
Este artigo investiga como a vivência estética, no horizonte da fenomenologia contemporânea, se configura como um acontecimento que articula percepção, imaginação, corporeidade, afecção e sentido, operando segundo as lógicas da doação e da saturação. A partir do diálogo com as obras de Husserl, Merleau-Ponty e Marion, em articulação com autores contemporâneos, discute-se como a experiência estética ultrapassa paradigmas representacionais, propondo uma ontologia do sensível e uma ética da hospitalidade. A análise evidencia que o fenômeno estético não se reduz a objeto de contemplação, mas se manifesta como evento que convoca o sujeito à exposição, abertura e transformação, no qual o visível se entrelaça ao invisível e o sensível se torna espaço de coabitação simbólica e intersubjetiva. O estudo adota abordagem teórica, fenomenológica e crítica, ancorada na análise conceitual e hermenêutica de textos fundamentais, delimitando explicitamente os limites e possibilidades do recorte teórico — marcado pela ausência de campo empírico e pela ênfase conceitual — e apontando a relevância do tema para o debate contemporâneo sobre estética e experiência sensível.
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