Amostragem e saturação em pesquisa qualitativa: consensos e controvérsias

Maria Cecília de Souza Minayo

Resumo


Resumo: Este ensaio sobre amostragem em pesquisa qualitativa e sobre o conceito de saturação discute as seguintes questões: em que medida as interlocuções individuais que se obtêm no campo podem ser entendidas como revelações do grupo e permitir inferências sobre ele? Quais seriam as precondições para uma amostra suficiente e fidedigna? Num projeto, deve-se colocar previamente o número de pessoas a serem entrevistadas e um tempo determinado para a observação de campo? Quantas entrevistas e quanto tempo de observação são necessários para um bom trabalho de campo? Quando se deve parar de buscar mais dados? As respostas são balizadas na literatura e na experiência pessoal da autora, mostrando que a quantificação a priori foge à lógica que preside os estudos qualitativos.

Palavras-chave: Pesquisa qualitativa; Estudos qualitativos; Amostragem; Saturação.

 

Sampling and saturation in qualitative research: consensuses and controversies

Abstract: This essay on sampling in qualitative research and on the concept of saturation discusses the following questions: To what extent individual interlocutions obtained in the field can be understood as revelations of the group and allow inferences about it? What would be the preconditions for a sufficient and reliable sample? In a project, should the number of people to be interviewed and the time for field observation be established previously? How many interviews and how much observation time are needed for a good fieldwork? When should the search for more data be discontinued? The responses are based on the specific literature and on the personal experience of the author, showing that, in principle, quantification escapes the logic of qualitative studies.

Keywords: Qualitative research; Qualitative studies; Sampling; Saturation.

 


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O desenho do cabeçalho e da capa da Revista Pesquisa Qualitativa é de Carmem Aranha. Ele foi feito na praça São Benedito, diante de um arbusto cujo tronco (e galhos) lembravam um ideograma chinês. (Árvore de Amparo - Desenho e grafite 6B, c 15x21 cm). Agradecemos à Carmem Aranha por ter cedido sua arte à Revista.

 

 

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