Corpo e significado para um grupo de mulheres que realizaram o papanicolaou

Autores

  • Edemilson Antunes de Campos Universidade de São Paulo
  • Lidiane Mello de Castro Universidade de São Paulo
  • Francine Even de Sousa Cavalieri Universidade de São Paulo

Resumo

Resumo: O objetivo deste artigo é compreender os significados do corpo feminino para um grupo de mulheres que fizeram o Papanicolaou. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa, com abordagem etnográfica e roteiro de entrevistas semi-estruturadas, com mulheres em idade reprodutiva, moradoras do Jardim Keralux, localizado na Zona Leste do município de São Paulo, Brasil. O Papanicolaou faz parte do processo de medicalização do corpo da mulher e está prenhe de significados, que permitem às mulheres darem um sentido à prevenção do câncer do colo do útero. Busca-se contribuir para a compreensão da experiência do exame de Papanicolaou e dos aspectos socioculturais que operam na prevenção do câncer do colo do útero.

Palavras-chave: Corpo feminino; Gênero; Papanicolaou; Significados.

 

Body and meaning for a group of women who underwent pap test

Abstract: The purpose of this article is to understand the meanings of the female body for a group of women who did the Pap test. Therefore, a qualitative research was carried out, with ethnographic approach and script of semi-structured interviews, with women of reproductive age, living in Jardim Keralux, located in the East Zone of the city of São Paulo, Brazi. The Papanicolaou is part of the process of medicalization of the woman's body and is pregnant with meanings, which allow women to give meaning to the prevention of cervical cancer. The aim is to contribute to the understanding of the experience of the Pap smear and the sociocultural aspects that operate in the prevention of cervical cancer.

Keywords: Female Body; Gender; Papanicolaou; Meanings.

 

Biografia do Autor

Edemilson Antunes de Campos, Universidade de São Paulo

Livre Docente, Universidade de São Paulo (USP), Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH).  Universidade de São Paulo, Brasil, edicampos@usp.br

Lidiane Mello de Castro, Universidade de São Paulo

Doutoranda em Ciências, Escola de Enfermagem. Universidade de São Paulo, Brasil.

Francine Even de Sousa Cavalieri, Universidade de São Paulo

Mestre em Saúde Pública, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, Brasil

Referências

BOLTANSKI, L. As classes sociais e o corpo. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004.

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Coordenação Geral de Ações Estratégicas. Divisão de Apoio à Rede de Atenção Oncológica. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero. Rio de Janeiro: INCA, 2011.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Controle dos cânceres do colo do útero e da mama. 2. ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2013.

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Estimativas 2016: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2015.

BRENNA, S. M. F. et al. Conhecimento, atitude e prática do exame de Papanicolaou em mulheres com câncer de colo uterino. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 17, n. 4, p. 909-914, ago. 2001.

CAMPOS, E. A. Olhando de perto: o método etnográfico na pesquisa em saúde. In. MELO, L.; GUALDA, D. M. R.; CAMPOS, E. A. (Org.). Enfermagem, antropologia e saúde. São Paulo: Manole, 2013, p. 90-104.

CAMPOS, E. A. Lógicas do cuidado: um estudo socioantropológico sobre o exame de prevenção para o câncer do colo do útero. 2015, 172 p. Tese (Livre Docência em Ciências Sociais e Saúde) – Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade de São Paulo, 2015.

CAMPOS, E.A.; CASTRO, L.; CAVALIERI, F. Representações do corpo feminino na prevenção do câncer do colo do útero. In: CONGRESSO IBERO-AMERICANO EM INVESTIGAÇÃO QUALITATIVA, 5, 2016, Porto. Atas do... Porto: Universidade Lusófona, 2016, p. 167-176.

CRUZ, L. M. B; LOUREIRO, R. P. A. Comunicação na abordagem preventiva do câncer de colo do útero: importância das influências histórico-culturais e da sexualidade feminina na adesão as campanhas. Saúde e Sociedade, São Paulo. v. 17, n. 2, p. 120-131, jun. 2008.

DAVIS-FLOYD, R. Birth as an American Rite of Passage. 2.ed. Berkeley: University of California Press, 2003.

DOUGLAS, M. Risk and blame: Essays in Cultural Theory. 1 ed. New York: Routledge, 1992.

DUAVY, L. M. et al. A percepção da mulher sobre o exame preventivo do câncer cérvico-uterino: estudo de caso. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 12, n. 3, p. 733-742, jun. 2007.

FONSECA, C. Família, fofoca e honra: etnografia de relações de gênero e violência em grupos populares. 2. ed. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2004.

FOUCAULT, M. Resumo dos Cursos do Collége de France (1970-1982). 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.

GEERTZ, C. A interpretação das culturas. 1. ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1989.

HEILBORN, M. L. Articulando gênero, sexo e sexualidade: diferença na saúde. In: GOLDENBERG, P.; MARSIGLIA, R. M. G.; GOMES, M. H. A. (Orgs.). O clássico e o novo: tendências, objetos e abordagens em ciências sociais e saúde. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2003. p.197-208.

LEAL, O. F. Sangue, fertilidade e práticas contraceptivas. In: Leal, O. F. (Org.). Corpo e significado: ensaios de antropologia social. 2.ed. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2001. p. 15-36.

LE BRETON, D. Antropologia do corpo e modernidade. 1. ed. Petropolis-RJ: Vozes, 2013.

LÖWY, I. Le genre du cancer. Clio: femmes, genre, histoire, Amsterdam, n. 37, p. 65-83, 2013. Disponível em: <http://clio.revues.org/10986>. Acesso em: 21 jul. 2017.

MAUSS, M. As técnicas do corpo. In. MAUSS, M. Sociologia e Antropologia. 1 ed. São Paulo: Cosac &Naify, 2003, p. 399-422.

NAKAMURA, E. O lugar do método etnográfico em pesquisa sobre saúde, doença e cuidado. In: NAKAMURA, E.; MARTIN, D.; SANTOS, J. F. D. (Org.). Antropologia para Enfermagem. 1. ed. São Paulo: Manole, 2009, p.15-34.

OLIVEIRA, M. V.; GUIMARÃES, M. D. C.; FRANÇA, E. B. Fatores associados a não realização de Papanicolau em mulheres quilombolas. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 19, n. 11, p. 4535-4544, nov. 2014.

PAULA, A. F.; MADEIRA, A. M. F. O exame citopatológico sob a ótica da mulher que o vivencia. Revista Escola Enfermagem USP, São Paulo, v. 37, n. 3, p. 88-96, set. 2003.

RIOS, I. C. Humanização: a essência da ação técnica e ética nas práticas de saúde. Revista Brasileira Educação Médica, Rio de Janeiro, v. 33, n. 2, p 253-261, jun. 2009.

ROHDEN, F. Sexualidade e gênero na medicina. In: SOUZA, N. A.; PITANGUY, J. Saúde, corpo e sociedade. 1. ed. Rio de Janeiro: Ed UFRJ, 2006, p. 157-180.

SARTI, C. A. A dor, o indivíduo e a cultura. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 10, n. 1, p. 3-13, jul. 2001.

VICTORA, C.; KNAUTH, D. R.; HASSEN, M. N. A. Pesquisa qualitativa em saúde: uma introdução ao tema. 1. ed. Porto Alegre: Tomo Editorial, 2000.

VIEIRA E. M. A medicalização do corpo feminino. In: GIFFIN, K; COSTA, S. H. (Org.) Questões da saúde reprodutiva. 1. ed. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 1999, p. 67-78.

VIEIRA, E. M. A medicalização do corpo feminino. 1 ed. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2002.

Publicado

2017-07-28